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A Palestina tem o direito de se defender

Em uma semana, já são mais de 130 os palestinos mortos, sendo 27 crianças e 11 pessoas de uma mesma família; em Israel, os mortos chegam a 5. Quem está se defendendo de quem?

Quem lê ou ouve as notícias que desde o dia 14 relatam a explosão de violência na Faixa de Gaza pode ficar um pouco confuso. O principal mote, “Israel tem o direito de se defender”, é repetido acriticamente por todos os meios de comunicação. Para o presidente estadunidense, “nenhum país na Terra toleraria mísseis chovendo sobre seus cidadãos”, enquanto o ministro do exterior britânico afirma que o Hamas tem a “principal responsabilidade” pela violência. Enquanto isso, a mídia repete a ladainha de que Israel apenas está respondendo a ataques feitos pelo Hamas.
Não é bem assim.

Gaza: velhos padrões de comportamento


Parece que já vimos este filme...
Passadas as eleições estadunidenses, e a menos de dois meses das eleições em Israel, este país desencadeia uma nova ofensiva contra a Faixa de Gaza, respondendo a foguetes lançados pelos radicais palestinos contra o Estado judaico - ou foram os palestinos que responderam à violação israelense do cessar-fogo? 
Para o governo israelense, a renovação da guerra com os palestinos é  politicamente interessante. Já o Hamas tem muito mais a perder, e por isso se empenhava em negociações de paz - conduzidas pelo líder assassinado por Israel em 14 de novembro. 
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Crimes de guerra? Deixa pra lá!

Como previu este analista na primeira postagem a respeito do Massacre em Gaza, o governo israelense encerrou seu covarde ataque contra a população de Gaza após três semanas de bombardeios aéreos e ações terrestres, procurando agora desfrutar dos ganhos políticos. Na matemática do conflito, mais de 1.300 palestinos foram mortos em vingança contra a morte de três civis israelenses. Lástima que o termo "vingança" devesse ser banido das relações internacionais...
Enquanto isso, a comunidade internacional se cala, mesmo diante do bombardeio israelense de edifícios da ONU, da matança indiscriminada de civis e da utilização de armas químicas banidas pela Convenção de Genebra.
Leia o artigo completo, em que faço um paralelo histórico e novamente me arrisco a antever o que vem pela frente.

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Rumo ao Holocausto

QUEM SÃO OS TERRORISTAS?
Se uma possível definição de terrorismo é "ato violência contra civis, procurando provocar o sentimento de terror em determinada comunidade" (para o Aurélio: "Modo de coagir, ameaçar ou influenciar outras pessoas, ou de impor-lhes a vontade pelo uso sistemático do terror"), o Estado de Israel adequa-se plenamente ao conceito.

GENOCÍDIO
O Estado Terrorista de Israel abandonou qualquer escrúpulo moral que ainda pudesse ter, e desde a noite de sábado (3/jan) , quando se iniciou a invasão terrestre da Faixa de Gaza, o objetivo principal parece ser apenas o de matar civis.
Depois dos diversos relatos de famílias inteiras mortas pelos mísseis israelenses, e de outros civis mortos enquanto buscavam abrigo, nesta terça-feira o exército do Estado Terrorista se superou, provocando os seguintes atos genocidas:
• na cidade de Gaza, todos os 12 membros de uma família extensa foram mortos quando sua casa foi atingida por dois mísseis israelenses. Os mortos incluem 7 CRIANÇAS de 1 a 12 anos, três mulheres e dois homens.
• em uma escola da ONU em Gaza, onde centenas de pessoas buscavam abrigo, três jovens morreram quando o edifício foi bombardeado por Israel.
• em uma escola da ONU em Jabaliya, que também servia de refúgio a civis fugidos de suas casas, morteiros disparados por tanques causaram a morte de 41 PALESTINOS (este número ainda pode crescer), sendo muitas mulheres e crianças.
Os mortos na ofensiva sionista já passam de 600 (os feridos são mais de 3.000, muitos dos quais estão morrendo à espera de socorro nos corredores e pátios dos hospitais). Destes, mais da metade são mulheres e crianças, e outra parte homens não vinculados à estrutura militar do Hamas.
Massacre. Matança. Genocídio. Não há palavra forte o bastante para definir a "ação defensiva israelense" na Faixa de Gaza.

"MAS FOI O HAMAS QUE ROMPEU A TRÉGUA..."
Mentira. Balela. Conversa pra boi dormir.
Durante o período de trégua, o exército do Estado Terrorista não cessou os bombardeios à Faixa de Gaza, provocando a morte de mais de 30 palestinos. Um dos principais líderes políticos do Hamas foi atingido no início de novembro, numa evidência de que Israel não estava interessado na manutenção da situação de calma.
Outra evidência da falta de vontade do governo isralense em prosseguir no caminho da paz foi que em nenhum momento, ao longo do cessar-fogo, Israel cumpriu sua parte no acordo: terminar o bloqueio contra a Faixa de Gaza. Pelo contrário, nos meses de outubro e novembro o bloqueio se intensificou, sendo proibida a entrada no território até de itens enviados pelas organizações humanitárias.
Já se verificava a situação de crise humanitária antes de se iniciarem os covardes bombardeios à população palestina da Faixa de Gaza. Hoje, a situação é de CATÁSTROFE HUMANITÁRIA (conforme afirmam os representantes da ONU in loco).
A grande imprensa, assim como o Bush, o Sarkozy e o governo israelense, continuam a atribuir toda a responsabilidade pela violência ao Hamas. É verdade que o Hamas ataca civis em Israel. Quatro deles foram mortos nos últimos meses. Mas talvez seja pertinente considerar o Hamas como a resistência à ocupação ilegal das terras palestinas por parte de Israel, e ao regime de ocupação que lhe é peculiar, condenados pela ONU desde 1967.
***
Leia minha análise sobre a ofensiva israelense.
Veja sugestões de leitura na postagem anterior.
Assine a petição "Professores condenam o ataque à Universidade Islâmica de Gaza"

Massacre em Faixa de Gaza (atualizado)

Continua o massacre em Gaza (ver artigo original). Após 7 dias de bombardeios, os mortos entre os palestinos já chegam a 422, sendo pelo menos 100 as mulheres e crianças. Os feridos passam de 2.180. Entre a população israelenses, os mortos já são quatro - menos do que o número de crianças palestinas mortas em uma única família na Faixa de Gaza ('I didn't see any of my girls, just a pile of bricks').
Indico aqui algumas boas fontes de informação para se ter uma boa perspectiva dos acontecimentos na Palestina (lamentavelmente, todas em inglês). Sugestões de outros artigos ou sites são bem vindas (por favor, use os comentários).

ARTIGOS
• "Enquanto os caças F-16 carregam suas missões de morte, a mensagem para o mundo é que Israel continuará a viver pela espada, como tem feito nas últimas seis décadas, em vez de arriscar as concessões o compromissos que a paz requer". Israel's Insane War, artigo de Patrick Seale, um dos mais importantes autores britânicos sobre o Oriente Médio.
Gaza: Israel's previous attacks - Boa reportagem do The Guardian mostrando os ataques israelenses a Gaza nos últimos dois anos. Entre estes: operação "Chuva de Verão" (jun/2006): 240 palestinos mortos, sendo 48 crianças; operação "Nuvens de Outono" (nov/2006): 70 palestinos mortos; ataque a Beit Hanoum (nov/2006): 18 palestinos de uma mesma família mortos; operação em Gaza e Jabaliya (fev/2008): 120 palestinos mortos, metade dos quais civis.
The world gives Israel a free hand, por Simon Tisdall (The Guardian), analisando a passividade da comunidade internacional diante das atrocidades israelenses.
'I didn't see any of my girls, just a pile of bricks' Sobre a morte de cinco meninas da mesma família, ocorrido nesta terça-feira (30/12) em Gaza.
• "O longo sítio e bloqueio de Gaza, e os inúmeros assaltos militares sobre seu povo e seu governo legítimo, são apenas os últimos crimes de guerra israelenses em um catálogo de tormenta e terror."Can There Be Any Doubt Who The Real Terrorists Are?, por Stuart Littlewood.
SITES / ESPECIAIS
Artigos do Middle East Online - O excelente site, publicado na Inglaterra, traz uma série análises a respeito do massacre em Faixa de Gaza.
Especial do The Guardian Israel and the Palestinian Territories - Excelente fonte de informação sobre o conflito, incluindo mapas, documentos históricos, linhas do tempo, análises diversas.

Massacre em Faixa de Gaza

Israel iniciou no último sábado (27/12) o que seu governo vem considerando “a última ofensiva” contra o Hamas, acusado por Israel e Estados Unidos de ser um grupo “terrorista”. Nos três primeiros dias de ataques aéreos, os mortos já passam de 300, e os feridos já são mais de um milhar, incluindo centenas de crianças e mulheres não envolvidas em atividades militares. Além disso, milhares de reservistas israelenses foram convocados, e o Exército vem concentrando tropas e tanques na fronteira com a Faixa de Gaza, preparando-se para uma incursão terrestre. É certamente – pelo menos no que diz respeito ao numero de mortos entre os palestinos – a pior ação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

CONTINUA...